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DRE e orçamento: como usar os dois juntos para proteger a margem da sua empresa

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Sumário

O DRE é um dos relatórios mais conhecidos da contabilidade empresarial. Mas ele é frequentemente lido de forma isolada, como se os números que apresenta fossem suficientes para orientar decisões. Essa leitura é incompleta. E essa incompletude tem um custo.

Para que o DRE cumpra sua função estratégica, ele precisa ser lido ao lado do orçamento. Só assim o gestor consegue entender não apenas o que aconteceu, mas se era isso que deveria ter acontecido.

O que o DRE mostra e o que ele não mostra

A Demonstração do Resultado do Exercício organiza as receitas, os custos e as despesas de um período, chegando ao resultado líquido do negócio. Ela responde à pergunta: a empresa teve lucro ou prejuízo?

O que ela não responde, por si só, é se esse resultado é bom ou ruim para o momento da empresa. Um lucro de R$ 80 mil pode ser excelente se a meta era R$ 60 mil, ou pode ser um sinal de alerta se a meta era R$ 120 mil. Sem o orçamento como referência, o gestor não tem como fazer essa distinção.

Como o orçamento complementa o DRE

Quando o DRE é comparado ao orçamento linha a linha, o gestor passa a ter uma leitura em duas dimensões:

  • O que aconteceu, representado pelos valores realizados no DRE

  • O que deveria ter acontecido, representado pelos valores orçados

Essa comparação revela desvios que o DRE isolado esconde. Uma receita bruta dentro do esperado pode mascarar um mix de produtos diferente do planejado. Um resultado operacional positivo pode esconder um crescimento de custos que ainda não se refletiu no caixa.

A armadilha do crescimento sem margem

Um dos cenários mais comuns e mais perigosos na gestão financeira é o da receita crescendo enquanto a margem encolhe. Isso acontece quando os custos crescem em proporção maior do que a receita, reduzindo o percentual de lucro sobre cada real faturado.

Afinal, uma empresa que fatura R$ 1 milhão com margem de 15% gera R$ 150 mil de resultado. Se no ano seguinte fatura R$ 1,3 milhão mas a margem caiu para 9%, o resultado é R$ 117 mil. Cresceu em faturamento e encolheu em resultado. Sem o acompanhamento orçamentário, esse movimento passa despercebido até que o caixa acuse o problema.

O que a contabilidade consultiva faz com essa informação

Um contador consultivo lê o DRE do mês dentro do orçamento do ano. Identifica em qual linha o desvio está acontecendo, qual a tendência dos últimos meses e o que precisa ser ajustado para que a margem se mantenha no segundo semestre.

Consequentemente, o gestor recebe não apenas números, mas uma leitura integrada que sustenta decisões concretas, como revisão de precificação, controle de custos variáveis ou renegociação de contratos.

Por onde começar essa integração

Se o seu negócio ainda recebe o DRE de forma isolada, sem comparação com um orçamento, o primeiro passo é estruturar esse orçamento com o apoio do seu contador. Não precisa ser perfeito. Precisa existir como referência.

Portanto, a partir do momento em que o orçamento existe e é acompanhado mensalmente junto ao DRE, a gestão financeira da empresa muda de patamar. Os números param de ser registro e passam a ser instrumento de decisão.

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