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Como precificar serviços de TI: hora técnica, projeto e recorrência têm lógicas diferentes

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Sumário

Empresas de tecnologia costumam operar com mais de um modelo de receita ao mesmo tempo. Hora técnica para suporte e consultoria, projeto fechado para desenvolvimento e implantação, mensalidade recorrente para SaaS e serviços continuados. Cada um desses modelos tem uma estrutura de custo diferente. E precificar os três com a mesma lógica é garantir que algum deles está errado.

Hora técnica: custo variável direto

No modelo de hora técnica, o custo principal é o profissional que executa. O custo é variável e diretamente proporcional ao tempo gasto. O risco está na subestimação do tempo necessário e na ausência de margem para absorver horas não faturáveis, como reuniões internas, retrabalho e tempo de deslocamento.

Um preço de hora técnica bem calculado precisa cobrir o custo do profissional, os encargos sobre a folha ou o contrato PJ, a proporção de horas não faturáveis e a margem desejada. Afinal, se o profissional trabalha 160 horas no mês mas só 120 são faturáveis, o preço da hora precisa cobrir o custo das 160.

Projeto fechado: custo concentrado na entrega

No modelo de projeto, o risco central é o escopo. Um projeto fechado com preço definido no início tem custo que pode crescer ao longo da execução se o escopo não for controlado. Cada hora extra não prevista corrói a margem diretamente.

Nesse sentido, a precificação de projeto precisa incluir uma reserva de contingência para variações de escopo, além de definir claramente o que está e o que não está incluído no contrato. Sem isso, o projeto pode ser entregue no prazo e no orçamento do cliente, mas com margem negativa para a empresa.

Recorrência: custo fixo diluído

No modelo de receita recorrente, o custo é predominantemente fixo: infraestrutura, equipe de suporte, licenças de software. O risco principal é o churn, porque o custo continua mesmo quando o cliente cancela.

Consequentemente, a precificação recorrente precisa considerar a taxa de churn histórica, o custo de aquisição de novo cliente para repor o que cancela e a margem necessária para sustentar o crescimento da base. Um preço de mensalidade calculado só com base no custo de operação sem considerar churn e aquisição é um preço insuficiente no médio prazo.

Como a contabilidade segrega esses modelos

Quando a contabilidade de uma empresa de TI é feita com segregação por modelo de receita, o gestor consegue enxergar a margem de cada linha separadamente. Hora técnica pode estar com margem de 35%. Projeto pode estar com 18%. Recorrência pode estar com 42%. Sem essa segregação, o resultado consolidado esconde onde está o problema e onde está a oportunidade.

Portanto, a leitura contábil por modelo de receita é o que transforma o DRE de um relatório de resultado em uma ferramenta de decisão de precificação.

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